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                Linhas de Pesquisa

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O Instituto Eu no Mundo estrutura suas pesquisas, formações e projetos a partir de um conjunto articulado de fundamentos epistemológicos e éticos.

Não se trata de uma soma de autores ou correntes, mas de um campo integrado de reflexão e prática que sustenta nossa atuação clínica, educacional e institucional.

Nosso trabalho parte do reconhecimento de que cada ser humano é uma experiência encarnada, histórica e singular, constituída na relação com o mundo, com o outro e com a cultura.

É a partir dessa compreensão que organizamos nossas linhas de pesquisa.

Fenomenologia e Experiência Encarnada

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A fenomenologia constitui a base epistemológica do Instituto. Inspirada na tradição filosófica que compreende o sujeito como corpo vivido e não como mente isolada, essa linha investiga a experiência humana a partir da percepção, da corporeidade e da relação com o mundo.

A aprendizagem, o sofrimento psíquico, os processos de desenvolvimento e as dinâmicas escolares não são compreendidos como eventos puramente cognitivos ou comportamentais, mas como experiências situadas, atravessadas por sensorialidade, afetividade, tempo e contexto social.

Essa perspectiva orienta nossas pesquisas sobre:

  • percepção do corpo próprio

  • regulação sensorial e emocional

  • experiência escolar

  • intersubjetividade e pertencimento

  • subjetividade na infância, adolescência e vida adulta.​

A fenomenologia nos permite deslocar o olhar do déficit para a experiência vivida, ampliando a compreensão do sujeito para além de classificações normativas.

Psicologia Humanista e Teorias do Cuidado

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A Psicologia Humanista constitui um eixo de pesquisa voltado à compreensão do desenvolvimento humano, da autonomia e da construção de sentido ao longo da vida.

 

Nos Programas Aldeia Viva e Aldeia Atípica, esse campo articula as contribuições de Carl Rogers e Abraham Maslow, especialmente os conceitos de tendência atualizante, autorrealização, liberdade, autenticidade e potencial humano — ao pensamento de Donald Winnicott, cuja obra amplia a compreensão sobre cuidado, ambiente facilitador, criatividade e constituição do verdadeiro self.

 

Parte-se da ideia de que o desenvolvimento não ocorre de forma isolada, mas depende da qualidade das relações, das condições de acolhimento e dos contextos sociais e afetivos nos quais cada pessoa está inserida.

 

Assim, esse eixo investiga processos de amadurecimento, pertencimento, autonomia e participação, buscando compreender como ambientes suficientemente seguros, responsivos e inclusivos podem favorecer a expressão singular de cada sujeito e a construção de modos de vida mais conscientes, criativos e significativos.

Ecologia Humana

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A Ecologia Humana constitui um eixo de pesquisa dedicado à compreensão das relações entre os seres humanos, seus modos de vida, os ambientes que habitam e as redes sociais, culturais, econômicas e simbólicas que sustentam a existência coletiva. No Aldeia Viva, esse campo é abordado de forma interdisciplinar, articulando saúde, educação, território, pertencimento, diversidade, sustentabilidade e qualidade de vida.

Parte-se do princípio de que o bem-estar humano não pode ser analisado isoladamente, pois é produzido na relação entre corpo, comunidade, natureza, trabalho, cultura e condições concretas de existência.

 

Assim, a Ecologia Humana investiga tanto os fatores que favorecem vínculos, cuidado, participação social e desenvolvimento integral quanto aqueles que produzem exclusão, sofrimento, vulnerabilidade e ruptura dos laços comunitários, contribuindo para a criação de políticas, práticas e projetos territorialmente sensíveis, inclusivos e regenerativos.

Bem Viver

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O Bem Viver constitui um eixo de pesquisa dedicado à compreensão de modos de existência orientados pela reciprocidade, pelo cuidado coletivo e pela interdependência entre seres humanos, comunidades e natureza.

 

No Aldeia Viva, esse campo dialoga com o pensamento de Ailton Krenak e Robin Wall Kimmerer, valorizando saberes tradicionais, cosmologias indígenas e práticas de relação com o território que reconhecem a natureza não como recurso, mas como parte viva de uma rede de pertencimento.

 

Parte-se da crítica aos modelos de desenvolvimento baseados na exploração, no individualismo e na separação entre humanidade e ambiente, buscando investigar formas de convivência sustentadas pela responsabilidade compartilhada, pela gratidão, pela regeneração e pelo respeito aos ciclos da vida.

 

Assim, o Bem Viver orienta pesquisas e práticas voltadas à construção de comunidades mais justas, sensíveis e sustentáveis, nas quais saúde, cultura, território e natureza sejam compreendidos como dimensões inseparáveis da existência.

Estudos Críticos da Deficiência e Filosofia da Diferença

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Esta linha articula contribuições da filosofia da deficiência, dos estudos críticos da inclusão, da crítica ao capacitismo e das discussões contemporâneas sobre diversidade humana.

Compreendemos que a exclusão não é apenas efeito de características individuais, mas resultado de estruturas sociais, culturais e institucionais que definem padrões de normalidade.

Investigamos:

  • modelos sociais da deficiência

  • crítica aos reducionismos biomédicos

  • neurodiversidade como movimento político e cultural

  • políticas públicas e direitos educacionais

  • inclusão como transformação estrutural

Essa linha sustenta nosso diálogo com instituições públicas, secretarias de educação, escolas e organizações, ampliando a inclusão para além da adaptação individual e situando-a no campo da responsabilidade coletiva.

Pedagogia da Singularidade

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A Pedagogia da Singularidade é a síntese aplicada dessas bases teóricas no campo educacional.

Desenvolvida no âmbito das pesquisas de Gabriela Carletto e do Instituto Eu no Mundo, essa proposta desloca o foco da adequação individual para a reorganização da cultura pedagógica. Parte do princípio de que toda aprendizagem é singular e que ambientes educativos precisam ser estruturados para sustentar essa singularidade.

Não se trata de um método fechado, mas de uma matriz orientadora que articula:

  • experiência encarnada

  • desenvolvimento emocional

  • crítica aos modelos normativos

  • organização institucional e pedagógica

A Pedagogia da Singularidade fundamenta o Programa Aldeia Atípica, voltado à implementação de cultura inclusiva em escolas e redes de ensino, com diagnóstico, formação continuada, supervisão e indicadores.

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